Moda, ou a razão pela qual eu temo pelo planeta

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Nunca fui pessoa de modas. Nunca senti prazer em ir às compras e nunca percebi como é que se dá mais importância a uma peça de roupa do que a valores humanos fundamentais. Nunca liguei muito a tendências, a saltos altos ou a usar coisas desconfortáveis só para ficar bem e ter a aprovação da sociedade.

Sei que sou uma pequena exceção à regra, já que o materialismo e o “ter para parecer” agora dominam todos os aspetos das nossas vidas. “O vizinho tem, então eu também quero. Se aquela atriz famosa usa, então eu também quero. Se nas revistas dizem que é tendência, então…” – Já sabemos a resposta. Este medo constante de ficarmos para trás, de sermos “esquecidos”, de não nos valorizarem está a assumir proporções inimagináveis nas nossas sociedades, trazendo um padrão de consumo (não será antes de consumismo?…) totalmente insustentável.

Não me canso de dizer, mas parece que poucos compreendem (ou ainda não querem compreender): não é possível existir crescimento infinito num planeta finito. Não é possível continuarmos a extrair matérias primas e a descartar coisas ao ritmo que estamos a fazer atualmente e esperar a regeneração do planeta. Não é.

É claro que isto se aplica a qualquer área da nossa vida, mas uma das mais expressivas é a moda. A liberalização da indústria, a diminuição constante dos preços, a introdução de um conceito de fast fashion ou o valor psicológico do “status” que a moda nos pode dar, tornaram-se pontos fundamentais para esta mudança de paradigma de consumo. Passamos a encarar a roupa como um produto descartável.

Segundo um estudo da Fundação Ellen MacArthur sobre o impacto e o futuro da moda, atualmente mais de metade da moda barata produzida é descartada em menos de um ano e a cada segundo depositamos em aterros ou incineramos o equivalente a um camião de lixo cheio de têxteis.

A indústria têxtil de hoje está assente num modelo linear obsoleto do ‘faz-usa-descarta’ e é extremamente esbanjadora e poluidora. O crescimento da produção está intrinsecamente associado ao declínio da utilização de cada artigo, o que leva a uma quantidade incrível de desperdício.

Acredito que a nossa tendência de consumo se deve sobretudo ao desconhecimento. Não sabemos como são produzidas as matérias primas, não sabemos quem faz a nossa roupa, não sabemos as condições em que vivem, não sabemos os impactos ambientais que a produção de uma simples camisola pode ter, não sabemos o que acontece à roupa quando a deitamos fora. Só sabemos o que a industria nos passa. Só conhecemos o “glamour”.

Acredito que quando todos soubermos, fazemos diferente. Exigimos diferente. Por isso, durante as próximas vou tentar mostrar um bocadinho daquilo que nos escondem. Conto convosco?

 

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